scatterheart's Journal [entries|friends|calendar]
scatterheart

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contabilidade [15 Nov 2009|04:31pm]


dada a exiguidade deste bloco, não posso gastar mais dinheiro até ao fim do ano.
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o outono deitado ao lixo [15 Nov 2009|02:41pm]
[ music | asobi seksu - thursday ]







falo-te durante a madrugada, como quem pede abraços antes de dormir. talvez me tenha apaixonado por essa tua ideia de amor.

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segredo [31 Oct 2009|01:40am]


nem imaginas como me custa revelar-me-te assim tão fraca.

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caos [22 Oct 2009|11:43pm]
[ music | akron - shoes ]





a maioria dos dias, julgo não saber mais que isto. não é a minha casa que está desarrumada, é o meu quarto. a minha casa talvez esteja desarrumada, mas não interessa. não me pertence tanto assim para que me incomode mais que um niquinho o ordenamento dos copos ou as cores dos guardanapos. o meu quarto sim, é o meu problema. fui eu quem escolhi a cor das paredes. mas olho para as coisas, com demasiado cansaço em cima dos olhos, e não sei, com toda a certeza, onde as guardar. talvez por isso as pouse ao acaso, como se as achasse capazes de encontrarem caminho por si próprias. que encontrem a sua sorte e o seu conforto no meio de tudo o que é meu. que se aprendam e se saibam, se puderem. as minhas coisas… é deixá-las estar. eu gosto muito delas, a sério que gosto. mas é deixá-las estar. coitadinhas, um dia ainda me fogem ainda mais a sério do que quando me escorregam das mãos rumo até onde não as consiga ver . um dia ainda me fogem, mais a sério, porta fora. fazendo bem os cálculos de tudo o que não mais encontro e tudo o que não mais lembro, talvez até já me tenham fugido.

talvez eu mereça. é deixá-las ir…



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à tarde todos os gatos são de porcelana [20 Oct 2009|01:06am]
[ music | daniel johnston - blue clouds ]



desde que acordei, esta manhã, que são oito horas em cima do meu pulso esquerdo. não sei se o tempo parou ou se me esqueceram de avisar que morri.

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movie night [14 Oct 2009|11:08pm]
[ music | arto lindsay - resemblances ]





sou pró cobarde neste enredo, embora nada tenha contra a vítima.
é tão mais fácil ser-se a favor dos mais fracos quando a vida é um filme.

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she and him [11 Oct 2009|10:01pm]
[ music | of montreal - eros' entropic tundra ]



it always fascinated me how people go from loving you madly to nothing at all, nothing. it hurts so much.

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american graffiti [11 Oct 2009|09:09pm]
stevie, hon, save yourself.
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tears are cool [05 Oct 2009|01:56am]
[ mood | o caralho do shuffle ]
[ music | teenage fanclub - tears are cool ]



i wanna talk to you don't want something that i get for nothing i wanna talk to you i know when something isn't worth discussing you might say i know but you always knew i could be unkind but i can't be cruel all my lies are false but your heart is true when i see you cry i think tears are cool i wanna talk to you i don't wanna lover that i take for granted i wanna talk to you i wanna say something that you'll find romantic don't say my prayers but i pray for you i might say who cares bu i know you do you're the one who knows that my lies aren't true when i see you cry i think tears are cool

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ninguém [03 Oct 2009|12:37pm]
[ music | vijay iyerand mike ladd - three lotto stories ]



tenho medo de te encontrar, confesso, ao virar das muitas esquinas das ruas que me fazem os dias. há duas manhãs, precisamente, que saio de casa em pânico com a ideia fechada até cima, a cobrir-me as costas. e enquanto os minutos passam e as horas se vão contando, encontro sempre outras pessoas quaisquer que não tu e penso sempre, muito sinceramente, que para isso mais valia não ter encontrado quem fosse.

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matemáticas [01 Oct 2009|10:52pm]
[ music | supergrass - g-song ]



vamos substituindo as preocupações por outras tantas mais ou menos pesadas – é ingrato. e o silêncio tem o sabor curto de uma transição.


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d. [30 Sep 2009|10:36pm]
[ music | patrick wolf - blackdown ]














like a prayer [11 Sep 2009|03:04pm]
[ music | azure ray - the drinks we drank last night ]



lembra-te, por exemplo, do verbo etre que significa ser ou estar. tenho em mim que este aligeiramento gramatical deve facilitar a vida a muita gente... parece querer dizer-lhes, sempre que se dizem algo, que não o precisam de ser para sempre, qual palmada encorajadora nas costas. e que a temporalidade dos espelhos onde nos olhamos tem uma medida onde também podemos ter alguma mão. que o ser de hoje pode ser o estar daqui há muitos amanhãs. é uma escolha. uma escolha pessoal. e talvez seja aí que tudo se perca.  

mas se os franceses podem…



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sábado à noite [09 Sep 2009|02:52am]
[ music | arctic monkeys - fire and the thud ]






uma mesa, quatro cadeiras, uma por preencher, a pedir que alguém se venha sentar, ao pé de nós. seríamos engraçadas e joviais. a maioria das vezes, não defraudamos quem seja. qualquer um de vós, qualquer um que fosse, teria lá ficado bem, creio. a rir, como nós nos rimos. mas tu não te ris, como ela bem repara. tens um africano dentro de ti e não ris e mal te mexes. tens também um  homem que toca saxofone e uns outros tantos vindos da antuérpia. já lhe tinha dito que mal te mexes. já te tinha reparado a não mexer, se não com esses todos com outros tantos, tão bem ou mais ritmados. mas, pouco importa:  continuo a achar-te tão bonito como na altura que escrevia sobre os teus olhos grandes, no meu caderno, naquele intervalo de uma hora entre as aulas, em que ia para a biblioteca, por não ter nem o que fazer nem com quem conversar.

uma mesa, quatro cadeias, licor beirão, amêndoa amarga e um fino. um baralho de cartas e um jogo de dominó. vidros físicos, vidros imaginários e portas de madeira. para já, há ainda um lugar vazio e ele, não esse, o outro, não tem tempo para se sentar. de um lado para o outro. com nome, já, e uma identidade.


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facto #53 [09 Sep 2009|01:59am]
[ music | foo fighters - generator ]



pareço uma puta com os lábios pintados de vermelho.

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segredo #567 [09 Sep 2009|01:50am]
[ music | arctic monkeys - crying lightning ]



gostava de saber usar batom vermelho.

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beside you [31 Aug 2009|02:47am]


you wake up love in me.

sono trocado [31 Aug 2009|01:09am]
[ music | tujiko noriko - white film ]



um dia, antes de deitar, hei-de espalhar post-its pelas portas do corredor a dizer que há quem durma meu quarto, por mais que todos os pães tenham sido vendidos, na mercearia, quatro andares baixo. que as portas são para se manter fechadas, o televisor desligado e que quem chega deve conter as conversas para lá da cozinha. mas a minha tia, cunhada da minha avó, viúva, a mais barulhenta de todos, não sabe ler.

( não há, no entanto, incomodo maior do que a certeza que a falta de tudo isto, um dia, me irá fazer.)

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i'm glad you find your way [07 Aug 2009|10:01pm]
[ music | yo la tengo - here to fall ]




fiz os recados todos. na lista imaginária que guardo na cabeça rabisquei uma cruz ao lado de  todas as tarefas cumpridas. desculpa se falo demasiado alto contigo, mas tenho andado nervosa. reparo que estive a escrever numa mesa cheia de aparas de borracha. custa-me acreditar que a semana já quase passou e que a marta se case amanhã. lembro-me de me terem dito que era natural, que é assim que acontece e que as coisas se passam, mas continuo a sentir-me a miúda doutros anos que já passaram, a mesma miúda desses anos que já passaram. enfim, acho que acabo por recear-lhes algumas certezas e que viver não seja só isto.


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postal de uma casa qualquer [03 Aug 2009|07:00pm]
[ music | 90 day men - even time ghost can't stop wagner ]



nos primeiros tempos do segundo andar direito na rua com pompa de aristocracia portuguesa de um qualquer século que julgo anterior àquele onde nascia eu, precisamente após essa precisa quantidade de tempo depois, construiu-se um ritual de domingo que me fazia descer as escadas carregadas até ao cimo da rua, davam-se as últimas horas da manhã, para um café e as páginas da revista do teu jornal. a viagem adiava-se uma hora ou duas. passados dias, ou talvez semanas, as nossas pequenas cumplicidades de pessoas que habitam o mesmo tecto ruíram e colapsaram no chão do corredor, junto à porta do quarto de banho. fomos apanhando os estilhaços, pouco a pouco, e varrendo o soalho. um dia, finalmente, decidimo-nos a passar o chão a pano, com detergente do bom - soaram marimbas do anfiteatro do jardim. deitámos os cacos todos fora e sempre pensamos que estivesse tudo bem. só depois é que reparámos que no mesmo saco juntámos por engano as manhãs de domingo.



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